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quinta-feira, 20 de maio de 2010

É SOPA!!! na Semana do Meio Ambiente


O que é que uma sopa tem haver com o meio ambiente?
Uma sopa vai muito além do prato...
Um espetáculo muito além do palco...
Impossível fazer sopa sem água...
Mais inimaginável ainda fazer uma sopa sem legumes, sem verduras...
Sem terra!
E como podemos ter uma sopa de qualidade sem verduras de qualidade?
Sem água límpida? mineral (ou 'torneiral')?

IMPOSSíVEL...

E onde encontra-se a água?
Onde cultivam-se os alimentos?

Na natureza...NatureZa com Z de cia. Z de teatro
Nesta natureza deslumbrante que temos no nosso planeta,
e neste país, que como o próprio hino diz

"gigante por natureza..."

Na terra...
Na água...

Voltando ao prato de comida: a SOPA!
Já parou para pensar como o alimento que chega ao seu prato é produzido?
E água que chega as suas torneiras, a sua mesa, como é tratada?

Não é de hoje que se fala que a água será o grande tesouro do futuro,
futuro este que para muitos já chegou...

Mas o que o mundo,
o nosso país,
o nosso estado,
a nossa cidade,
a nossa comunidade,
a nossa família,
nós...
estamos fazendo para cuidá-la?

Quanta água temos desperdiçado?
E quanta água poluimos?
E a terra como tem sido tratada, e as plantações?
Já parou para pensar quanto agrotóxico pode ter numa folha de couve?
E quanto mal ele pode fazer para sua saúde?
E para a saúde da terra, da água, dos pequenos animais que dependem da terra para se alimentar, e também dos rios?

E o que vamos fazer?
Abandonar as verduras e frutas por causa dos agrotóxicos?

Claro que não!!!
Dependemos delas para uma saúde impecável!

Se passarmos a ingerir alimentos orgânicos, estaremos respeitando não apenas a nossa saúde, mas a saúde de nossa terra, de nossa água.
Respeitando os animais e pessoas que precisam destas para sobreviver...
Inclusive nós!

Campanhas de Tv vivem dizendo :
Diga não as drogas!!!
Mas o Brasil é o terceiro maior consumidor de agrotóxicos: veneno que chega invisível aos pratos de milhões de brasileiros diariamente...
Nossa país é destino de pelo menos dez tipos de agrotóxicos banidos de outros países.
Nos alimentos chegam ao nosso prato constam pelo menos dez tipos de agrotóxicos proibidos na Europa e nos Estados Unidos...

E assim consumimos VENENO invisível diariamente!!!


Temos que parar de nos comportarmos
como se não tivéssemos nada haver com a situação,
como se não tivéssemos nada haver com o planeta,
como se não fizéssemos parte da natureza.

Somos animais também!

Somos passageiros de uma nave chamada terra,
que por irônia possui muito mais água do que terra...
E não vivemos sem uma nem a outra.

Não somos máquinas...como disse Charles Chaplin...

Não somos só razão ...temos coração, emoção...

E não queremos só comida Como cantam os Titãs

"a gente quer bebida, diversão e arte... "

Isto significa um mundo vivo e belo para sermos felizes nele.

Para que de forma saudável possamos desfrutar tanto do sabor de uma sopa quentinha a fumegar com seu perfume nossos narizes,

como de um espetáculo a encantar nossos sentidos,
nutrir nossa alma...


Por isto quando for tomar a sua sopa, não deixe de fingir que o mundo não precisa de você, e de pensar que ela não tem nada haver com o meio ambiente...
E se você decidiu dize não as drogas comece pela sua alimentação
pelo seu prato...
não aceite veneno
INGIRA alimentos orgânicos!!!


Bom apetite, bom espetáculo,
e um dia do meio ambiente cheio de reflexões para todos ...

E com muita
SOPA
(orgânica),
pelas mesas
e palcos afora!!!



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NOSSA AGENDA NUTRITIVA:

Espetáculo: "É SOPA!!!"

-27 de maio de 2010- 9h e 14h
-28 de Maio de 2010- 9h, 10h30' ,14h , 16h
CASA DEI NONNI-
NOVA TRENTO/SC;

-31 de maio de 2010
SEMANA DO MEIO AMBIENTE
8h30'/ 9h30'/ 14h /15h -
AUDITÓRIO DA PREFEITURA-
ANTÔNIO CARLOS/SC;

-01 de junho de 2010
SEMANA MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE
10h/14h/15h30'-
ANFITEATRO LEDA REGINA DE SOUZA
TIJUCAS/SC;

-08 de junho de 2010
VARAL LITERÁRIO
10h e 14h
SALÃO PAROQUIAL-
CANELINHA/SC

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Outras postagens sobre o espetáculo "É SOPA!!!" :


http://ciazdeteatro.blogspot.com/2009/10/e-sopa-semana-da-crianca.html

http://ciazdeteatro.blogspot.com/2009/10/e-sopa.html


Links de outros sites em que o espetáculo é citado:


http://www.bigua.sc.gov.br/index.php?sel=noticias_geral&id_coluna=1066

http://textopontocom.blogspot.com/2009/11/eventos-culturais-marcam-primeira.html


Para saber um pouco mais sobre
AGROTÓXICOS:

http://www.ecolnews.com.br/agrotoxicos/index.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Agrot%C3%B3xico

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100530/not_imp558860,0.php




domingo, 31 de agosto de 2008

Juntos somos fortes...

OS SALTIMBANCOS
1996
Elenco do espetáculo "Os Saltimbancos" , e parte da equipe técnica após término da temporada realizada no final do mês de agosto de 1996 na Casa de Cultura de Caxias do Sul/RS-Brasil.
Da esquerda para direita: em pé - Giselle Silveira, Mano Amaro, Gérsom Melo, Luciá Tavares, Viviane Vieira, Nicole Nino e Lílian Schäeffer;abaixo- Manoel Júnior, Moisés Vasconcellos e Billy dos Santos Marreiro.


"Juntos somos fortes não há nada a temer!"
Este era o lema!!!
Este tem sido o lema!!!
Já nos habituamos a conviver com as dúvidas, com as incertezas, com as partidas e chegadas, com as separações...
As dúvidas são uma constante não apenas em relação as postagens, mas também em relação aos elencos, aos novos espetáculos que montaremos, as cidades que os levaremos...elas fazem parte da vida...
Assim como as separações inevitáveis,
como as saudades infinitas...
Nossos sentimentos saltitam de um lado para o outro, entre uma ou outra opção; a certeza que permanece sempre é a do teatro, a de levar nossa arte a novos lugares, a mais e mais pessoas!
Depois de muito refletir, a dúvida pediu trégua para dar espaço as lembranças ...
ótimas lembranças diga-se de passagem!
Tão boas que é sempre difícil escolher o que tornaremos público através deste blog...
Observar as fotos e deixar que elas nos digam o que clama vir à tona tem sido uma constante...
E então...passeamos pelo tempo...
O nosso mágico universo nos permite pegar carona em estrelas cadentes,
passear na cacunda do vento,
construir naves fantásticas!
procurar histórias...
Deparar-se com pedaços de histórias da cia z é um pouco como ter autorização do patrão chuveiro para chover!
É como ter poderes especiais!
É semelhante àquele poder raro que temos quando crianças de falar com as coisas, com as plantas,
com os animais...
O último poder que manifestou-se em nós é o de conversar com as fotos...
Dialogar com momentos perdidos no tempo e recriá-los aqui.
Para nós e para os nossos leitores...
E o que tem acontecido é que em geral as fotos começam a gritar!!!
Dançam!!!
Cantam!!!
Falam línguas estranhas...
É uma coisa de louco...
Sem mais nem menos lá está um retalho de nossa história que não pode mais ficar encerrado...
E neste mês a foto que gritou mais alto...foi está que está aí...
É apenas uma foto de um elenco cansado ao término de uma exaustiva e deliciosa temporada na serra gaúcha!!!
Uma foto que tiramos ao término da última apresentação que a Cia Z realizou do espetáculo "Os Saltimbancos".
Por coincidência(ou não) uma foto que foi tirada no final de um mês de agosto...
Há cerca de doze anos atrás!
Nenhum de nós sabia que acabaramos de realizar a última apresentação de tal espetáculo...

Até por que tínhamos "Os Saltimbancos" como um grande trunfo...

Foi com este espetáculo que começamos a dar vôos mais altos, talvez impulsionados pela coragem dos personagens artistas tão lindamente apresentados neste musical com música de Chico Buarque, e adaptado sabiamente para o teatro por Sergio Bardotti apartir de uma lenda dos irmãos Grimm.
Com os 'animais' de os Saltimbancos aprendemos a ser

mais espertos,

mais pacientes

fiéis a nossa arte

e também muito mais teimosos

descobrimos que éramos como gatos e

" que nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres"

este foi o nosso hino por vários anos...

Com o tempo também descobrimos que cada apresentação pode ser a última...

e mesmo separados seguimos sendo

fortes!!!

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Ficha técnica

1996

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Direção e Coreografia

Nilo Corrêa

Elenco

Jumento- Gérsom Melo

Cachorro- Moisés Vasconcellos

Galinha- Viviane Vieira

Gata - Luciá Tavares

Coro

Gisele Silveira

Lílian Schäeffer

Mano Amaro

Nicole Nino

Iluminação

Billy dos Santos

Contra regra

Manoel Junior

Cenários

Eduardo Fabião e Gérsom Melo

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sábado, 28 de junho de 2008

O Sítio do Pica-pau Amarelo-1993

Pir lim pim pim
Luciá Tavares (Dona Benta) e Vanessa Albuquerque (Narizinho)
Teatro Sete de Abril
Pelotas/RS
-1993 -
Foto Janine Tomberg
A montagem de tal espetáculo foi de um prazer inigualável para os integrantes da Cia Z, renovou o repertório da época, estimulou o estudo da arte teatral em prol da literatura nacional levada à cena, e instigou por muitos e muitos anos ludicamente a Companhia.

O ano?
1993.

Nesta época "O Sítio do Pica -pau Amarelo" não era exibido na televisão, tinha sido levados as telas há cerca de uma década, o que correspondia mais ou menos com a infância da maioria dos que integraram o elenco. Só anos mais tarde os textos de Lobato voltaram a ser exibidos em formato de telenovela infantil na TV.
Neste período todos, tanto elenco, como público estavam sedentos por ver no palco a maior jóia da literatura infantil brasileira.
A grande maioria do elenco leu pelo menos uma meia dúzia dos livros do Sítio do Pica pau Amarelo neste período.
O texto que chegou a cena com o espetáculo da companhia passava por estórias de vários livros e foi adaptado pela escritora pelotense Lídia Quintana da Silva, só após um período de apresentações é que a Cia Z começou a adaptar as cenas que tinham sido belamente transformadas para cena teatral pela escritora em questão.
Para isto além de saudáveis discussões após as apresentações, a companhia elaborou dois questionários, entregues aos alunos e professores, provenientes de escolas públicas e particulares de Pelotas e região que haviam assistido ao espetáculo.
Muitas dicas dadas pelo público foram experienciadas e influenciaram na transformação do espetáculo ao longo do período de quase dois anos que este esteve em cartaz.
Muitas foram as divulgações com personagens do espetáculo em sala de aula, no calçadão de Pelotas e até mesmo dentro de supermercados.
O sábado com Emília e Visconde no calçadão era de uma alegria, de uma luz, de uma doçura que só Pelotas e os personagens de Lobato tem.
E muitas são as impressionantes histórias que nos ficaram destas divulgações...
Numa das incursões pelo calçadão nos deparamos com uma velha senhora que correu esbaforida atrás da Emília abraçando-a fortemente disse com lágrimas nos olhos:
"Emília por onde Tu andávas!? Que falta Tu me fazes."
E sempre que tinha apresentação de um dos nossos espetáculos lá estava ela, as vezes sozinha em outras com os netos.
E não posso deixar de citar a vez que a Cuca, encenada na divulgação por Daniel Plá, entrou numa sala de aula de 1ª série, onde havia uma estudante de magistério sendo avaliada por outras duas professoras, muitos sérias, as crianças a tudo que lhes era explicado a respeito da ida ao teatro respondiam num coro sonolento...
Quando a Cuca do Daniel entrou em sala, gargalhando...
Os alunos levantaram de uma só vez e saltaram na Cuca...
que teve que andar por um corredor enorme com alunos pendurados em seus braços, cabelos e cauda... Até surgir inspetoras, outros alunos, outras professoras e a diretora a quem recém tínhamos convencido que teatro era essencial para educação...
Tal cena hilária aconteceu na Escola Demétrio Ribeiro no município de Alegrete/RS, e fez que no dia seguinte a escola em peso aparecesse no Teatro, mesmo com chuva, para prestigiar a peça.
Muitas alegrias tivemos com este espetáculo, mesmo tendo uma montagem conturbada pois a menos de um mês da estréia ainda não tínhamos a Narizinho, um dos personagens principais de nosso espetáculo nem a Tia Nastácia.
E foi apenas faltando pouco mais de duas semanas é que o elenco foi definido...
Sabemos que nossa marmelada de banana...
fez pirlimpimpim por onde passou...
e estimulou muitas crianças a iniciarem-se como leitoras ...
E mergulhar neste fantástico mundo, neste reino das águas 'mágicas' e claras de nossa cultura popular...
no sensacional universo de Monteiro Lobato.

Matéria publicada no jornal Diário Da Manhã de Pelotas/RS em 18/04/1994
Clique na imagem para ler seu conteúdo
Ficha Técnica:
Da obra de
Monteiro Lobato
adaptada
para cena teatral
por
Lídia Quintana da Silva
Príncipe Escamado-Moisés Vasconcellos
Dr. Caramujo-Gérsom Mello
Sapo-Daniel Plá
Narizinho-Vanessa Albuquerque
Emília
Cristina Neutzling
Fernanda Avellar
Maria Simone
Jacqueline ...
Pedrinho
Daniel Plá
Glaucio Brião
Visconde-Gérsom Mello
Dona Benta-Luciá Tavares
Tia Nastácia-Hildete Bahia
Saci-Moisés Vasconcellos
Cuca
Ronice Cardoso
Luciane Monteiro
Rhay Brim
Billy
Iluminação
Billy Marreiro
( que nesta época ainda era Rogério 'Billy' dos Santos)
Direção-Nilo Corrêa


quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Conflitos - 1ª montagem

CONFLITOS
Um espetáculo para adolescentes com ou sem conflitos
1ª montagem
1998 a 2000



Luciá Tavares e Aurélio Bastos no palco do Teatro Guarany-Pelotas/RS-Junho de 1998
Foto Fernando Duran

Público de adolescentes na frente do Teatro Guarany-Pelotas/RS em junho de 1989- na fila para assistir ao espetáculo

"CONFLITOS"

Foto Fernando Duran



O espetáculo CONFLITOS teve sua primeira montagem pela Cia Z em 1998. Surgiu com o intuito de alcançar uma parcela de nosso público que ficava para traz. A cobrança por adolescentes, educadores e pais que durante anos haviam assistido aos espetáculos infantis da companhia.
Em 1996 este anseio já havia se apresentado não apenas por parte do público, mas também pelos integrantes da Cia Z que queriam levar à cena, temáticas cabíveis ao público que crescia e abandonava nossos espetáculos.
Como a Cia Z sempre trabalhou de forma intensa, viajando, ensaiando e produzindo; o tempo que restava para pesquisar era em geral nas viagens, e foi justamente numa tournée, que durou mais de 8 meses pelo noroeste do Rio Grande do Sul em 1997, que o elenco da Cia Z empreendeu a vasta pesquisa que levaria ao espetáculo Conflitos.



Matéria publicada no Jornal Pioneiro de Caxias do Sul/RS

estréia do espetáculo "CONFLITOS" e

apresentações do espetáculo infantil

"A GERINGONÇA DA FANTASIA"

13 de maio de 1998




Primeiro buscamos textos de autores consagrados, mas sempre caímos no mesmo problema, ou o texto era adulto ou infantil de mais.
Então começamos a pesquisar com o próprio público alvo que queríamos atingir para entender qual a expectativa destes em relação ao teatro em uma nova fase de suas vidas.
A pesquisa era informal, acontecia em geral nas escolas num bate papo de recreio com estudantes que já tinham nos assistido, entre uma divulgação e outra. Sempre aparecia alguém prá falar da necessidade de seguir indo ao teatro, da falta de opção...da briga com o irmão, do desentendimento com a colega, com os pais ou com o professor. Na sala de professores ou da direção das inúmeras escolas em que apresentamos, sempre surgia uma diretora ou professora com vários relatos e temas que precisavam ser abordados. Nossos fins de semana interioranos, também eram prá isso para um passeio ou debate que sempre acabava por nos conduzir ao teatro e suas infinitas funções. E estes diálogos descompromissados sempre geravam folhas e mais folhas escritas, longos debates e muitas, muitas idéias...




Matéria publicada no Jornal Correio Lageano,

do município de Lages/SC

em 14/04/1999



No início de 1998 quando ainda estávamos em fase de ensaios do espetáculo "A Geringonça da Fantasia" e em processo de confecção do material cênico. O Nilo e o Gérsom estavam enlouquecidos trabalhando na produção do espetáculo pelos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul vieram com uma lista de Prefeituras e escolas que queriam não apenas espetáculos infantis, mas em especial algo para o público jovem.
O alvo foi a Luciá e o Aurélio que então protagonizavam os elencos da Z. Luciá tinha uma série de anotações e pediu uns dias, para o Nilo... O prazo foi o fim de semana. Entre ensaios, sucatas e café, Luciá veio com o argumento do espetáculo em mãos e uma breve descrição das cenas.


Matéria publicada no Jornal Gazeta do Sul do Município de Santa Cruz do Sul/RS em 18/08/1999


"O Nilo sempre nos instigou a fazer as coisas, sempre foi um provocador!!! E provocou o meu instinto de dramaturga, me desafiou. É claro que eu topei esta loucura de escrever CONFLITOS, pois tinha um material já armazenado e sabia que teria ao meu lado me ajudando nesta saborosa empreitada o meu irmão de coração Aurélio. Em uma semana já tínhamos o texto das duas primeiras cenas na ponta da língua. E o texto das cenas 3 e 4 no esqueleto,e dois argumentos distintos para cena final-cena 5. Para testar se o que estávamos criando agradaria, chamei minha irmã adolescente, fonte de inspiração para a personagem Jacqueline, e suas amigas para opinarem, o que não agradava, cortávamos na hora, sem dó nem piedade já que nosso menu de cacos e opções para encaminhar o rumo do espetáculo era amplo.
Eu, e o Aurélio passávamos o dia na sede da companhia, literalmente. Eu as vezes até dormia por lá. E assim nesta entrega louca não tínhamos tempo para nossos conflitos, só queríamos fazer um espetáculo que agradasse ao público sem reproduzir padrões alienantes. Eu queria os adolescentes refletindo, sobre os conflitos infinitos que temos nesta fase da vida. Informativo mas sem moralismos.
No dia da pré estréia, que foi no interior do Rio Grande do Sul, numa cidade de descendência Holandesa chamada Não me Toque. Toda cidade estava lá para nos assistir, professores, alunos da zona rural e urbana. A platéia chegou de sopetão, cerca de 500 alunos e adolescentes entraram aos gritos na platéia e praticamente correndo no salão paroquial. Nem falei nada para o Aurélio só lhe olhei. Ele sabia o que eu estava pensando.
Nilo chegou no camarim improvisado que havíamos feito e disse 'É com vocês'. Entramos em cena e o público pouco a pouco foi se calando, se emocionaram junto conosco, deram muitas risadas, e ao final todos estavam em pé para nos aplaudir. Foi ótimo!!! Os professores e diretores vinham nos agradecer por trazer à tona tantos assuntos que eles não conseguiam abordar em sala. Duas semanas depois fizemos a estréia oficial na Casa de Cultura de Caxias do Sul e a partir daí apresentamos o espetáculo nos mais infinitos lugares do sul do Brasil, até 2001 .Sempre que assisto à uma nova montagem dele me emociono. Pois cada vez mais vejo a necessidade que os adolescentes tem da arte. Quando vejo uma platéia repleta de alunos sempre me emociono, pois ainda acredito no teatro como elemento de transformação da sociedade. E sempre, esteja eu em cena ou na platéia... esqueço e repenso os meus conflitos!!!"


Luciá Tavares, autora do espetáculo Conflitos e atriz da Cia Z